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‘Viva o SUS’ e além

Durante a pandemia, o Sistema Único de Saúde tem sido celebrado com o sonoro e característico lema ‘Viva o SUS’. E devemos de fato ter orgulho — mas será que sabemos quais outras ações e estruturas estatais merecem destaque nesses tempos tão difíceis?

 

Durante o período de aplicação da primeira e da segunda dose das vacinas contra a covid-19, era comum vermos amigos postando fotos da vacinação nas redes sociais e marcando a hashtag #VivaoSUS.


Embora nem todos tenham feito este reconhecimento público, não parece exagero dizer que muitos de nós já perceberam a importância do sistema de saúde brasileiro — seja durante ou mesmo antes da pandemia.


O SUS tem sido importante no tratamento aos doentes em hospitais, na aplicação de vacinas em postos de saúde na população que pode ser vacinada, no acompanhamento de porta em porta de idosos e de pessoas de mobilidade reduzida que não chegam com facilidade às unidades de vacinação. Para citar algumas das atividades desempenhadas por quem trabalha na Saúde Pública.


O nosso sistema de saúde não é perfeito. Há problemas inúmeros e diversos nessa estrutura e muitos que dependem dela têm razão ao fazerem reclamações. O objetivo deste ensaio não é idolatrar ou romantizar um aparato estatal que pode ser melhorado sob vários aspectos. A missão aqui é refletir sobre ações de inúmeros órgãos do Estado — representado pelas esferas municipal, estadual, do Distrito Federal e federal — durante a pandemia. Existem instituições públicas além daquelas vinculadas ao SUS que têm desempenhado papéis de destaque, com ou sem o apoio de organizações do terceiro setor e do mercado.


A começar pelas universidades estaduais e federais, estas têm conduzido pesquisas sobre vacinas brasileiras contra a covid-19 (como a UFMG), além de mapeamentos que relacionam a vacinação com as desigualdades socioterritoriais (como vem fazendo o LabCidade, da FAUUSP) nas cidades brasileiras.


Isso sem falar em institutos e fundações como a Fiocruz, que ganhou destaque pela distribuição de milhões de vacinas da Oxford AstraZeneca no Brasil, e que promoveu recentemente um edital para apoiar financeiramente projetos que enfrentem a Covid-19 nas favelas do estado do Rio de Janeiro.


Entram nesse rol de participação estatal ainda as agências públicas de fomento, como a FAPESP, que financia estudos relacionados à Covid-19 .


Também vale citar os equipamentos das cidades, como as escolas municipais de ensino fundamental (EMEFs) de São Paulo, cujos professores enfrentaram o desafio inédito de ministrar aulas 100% remotas por meses até a retomada das aulas presenciais em agosto de 2021.


Isso não quer dizer que não tenha havido percalços. No caso das aulas on-line, muitos alunos no Brasil passaram por dificuldades para terem acesso a celulares conectados à internet ou a computadores ligados a redes de WiFi. É evidente que, assim como ocorreu nas escolas públicas, parte da estrutura do Estado funcionou em meio a sérias deficiências durante a pandemia. Mas funcionou.


Qual é a lição que fica aos gestores públicos?


É evidente que são necessários ajustes e investimentos em muitos sistemas como o SUS. O que não tira o mérito dos esforços de muitos profissionais que não pararam suas atividades nem deixaram de perseguir o interesse público nas suas pesquisas e em outras formas de trabalho.

E qual é a lição que fica aos usuários dos serviços e de equipamentos públicos, seja eventual ou frequentemente?


O serviço público é essencial e não parou por completo nesses dias tão atípicos. Longe disso.


A pandemia trouxe à tona discussões antigas, mas com novas roupagens: a eficiência do serviço público, a importância do SUS e de outras estruturas de Estado e o papel de ações coordenadas entre todas as esferas de governo. Cabe a nós retomarmos um debate saudável, sempre tentando levar em conta atentamente o que tem acontecido ao nosso redor — e que muitas vezes ignoramos ou não buscamos entender a fundo.

Talvez, assim, possamos ter mais orgulho do SUS e de sistemas semelhantes. E, talvez desta maneira, todos nós possamos falar aos quatro ventos: ‘Viva o SUS’. Eu, pelo menos, já falo há tempos e com orgulho.


Sobre o autor

Guilherme Formicki é doutorando em Planejamento Urbano e Regional pela Universidade de São Paulo e mestre em Planejamento Urbano pela Columbia University, em Nova Iorque. Nos Estados Unidos foi bolsista Lemann e ganhou o prêmio Charles Abrams pela dissertação com o maior comprometimento com justiça social.




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